Crescia aceleradamente as massas migratórias.
Densidade demográfica superior a Cingapura.
Eis o Formigueiro das
Américas.
Uma cidade dormitório,
onde a hora de dormitar nos faz falta.
Deslocamento
pendular. Migração diária. O Indivíduo vai, o indivíduo volta. Norteando e
desnorteando a sua cidade natal. Carregando o trabalho e os estudos nos ombros.
"O curioso é que muita dessas famílias são originadas de imigrantes nordestinos que vieram tentar a sorte aqui no "Sul Maravilha", nos meados do século passado e hoje seus netos fazem uma nova peregrinação, porém, buscando mais qualidade de vida, fugindo da violência, do trânsito caótico e da superpopulação."
O êxodo da Baixada Fluminense para a baixada litorânea, por Djalma Castro de Souza.
UMA VEZ ATRAVESSEI
UMA CIDADE POPULOSA
Uma vez atravessei uma cidade populosa imprimindo
No meu cérebro, para uso futuro,
Seus espetáculos, sua arquitetura, trajes e tradições.
Mas agora de tudo daquela cidade me recordo só de
um homem
que por ali vagabundeou comigo e que me amou.
Dia após dia, noite após noite permanecemos juntos.
Tudo o mais já foi esquecido por mim _ me recordo
Só
de um homem
rude e ignorante que, quando parti, segurou minha
mão
muito tempo,
Boca não disse palavra, triste e trêmulo.
WALT
WHITMAN
(Tradução de Waly Salomão)
Folhetim, 3/2/85
cidade de paredes bíblicas!
ReplyDeletemensagens religiosas em paredes- ruínas!
ReplyDelete"Deslocamento pendular. Migração diária. O Indivíduo vai, o indivíduo volta. Norteando e desnorteando a sua cidade natal."
ReplyDeleteLavo Sofá, antena da Sky apontando pra cima, buraco preto cavando pra baixo, uma boneca, ferrugem latão.
Cidade passageira, gente passageiro, dia e noite, todos passageiros, alguém sabe aonde é a estação de trem? A oficina da radio patrulha? Alguém viu Ezias? Filho? O trem. O trem, você viu o trem? Me lembro que tinha uma moça, acho que ela era baixinha, talvez até ruiva. Alguém sabe aonde é a estação de trem?
Moço? Ei menino. Ei.
As sentenças. A perpetuação dos arredores e das periferias como cidades-dormitório-caóticas. A riqueza estética da desordem visual. O lixo. A boneca. As fachadas. A estação desativada, desabitada. O mato que crescer ao redor. E a apropriação de um espaço que é vigiado por amigos.
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