Uma cambada de bêbados. A banda segue quem está com a palavra rasgando a noite silenciosa com música e gargalhadas. Um gago negocia com uma puta na esquina. As bicicletas alimentam a energia da cidade. Há centenas de pessoas presas no subsolo. Elas pedalam. As luzes acendem. Elas pedalam. A comida gela. Elas pedalam. A televisão passa a noite ligada porque alguém gosta do barulhinho que ela faz. Dorme-se melhor assim. As bombas explodem e as pessoas dançam. Amarro você nas minhas costas e saímos pelas ruas. Um vento forte bate e todo o dinheiro voa. Os dançarinos tentam alcançar as notas sem parar de dançar. As bombas continuam. Os ciclistas continuam, a cidade vai se deixando engolir aos poucos, dolorosamente. Da mesma forma que a corda faz com o seu braço. Cada vez mais morto. Numa ponte, a banda se amarra pelos pés e toca de cabeça para baixo enquanto passamos por cima. Temos que parar para enterrar seu membro amputado. Damos a ele qualquer nome. De cima da carroça podemos ver o que deixamos pra trás. Luzes e amputações veldas. Continuamos. Quando eu pedalo as luzes do meu barco acendem. Você já não fala mais. Uma guerra não é uma guerra enquanto um irmão não matar o outro. E sigo colecionando nuvens.

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