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Tuesday, July 29, 2014

underground

Uma cambada de bêbados. A banda segue quem está com a palavra rasgando a noite silenciosa com música e gargalhadas. Um gago negocia com uma puta na esquina. As bicicletas alimentam a energia da cidade. Há centenas de pessoas presas no subsolo. Elas pedalam. As luzes acendem. Elas pedalam. A comida gela. Elas pedalam. A televisão passa a noite ligada porque alguém gosta do barulhinho que ela faz. Dorme-se melhor assim. As bombas explodem e as pessoas dançam. Amarro você nas minhas costas e saímos pelas ruas. Um vento forte bate e todo o dinheiro voa. Os dançarinos tentam alcançar as notas sem parar de dançar. As bombas continuam. Os ciclistas continuam, a cidade vai se deixando engolir aos poucos, dolorosamente. Da mesma forma que a corda faz com o seu braço. Cada vez mais morto. Numa ponte, a banda se amarra pelos pés e toca de cabeça para baixo enquanto passamos por cima. Temos que parar para enterrar seu membro amputado. Damos a ele qualquer nome. De cima da carroça podemos ver o que deixamos pra trás. Luzes e amputações veldas. Continuamos. Quando eu pedalo as luzes do meu barco acendem. Você já não fala mais. Uma guerra não é uma guerra enquanto um irmão não matar o outro. E sigo colecionando nuvens.

Monday, June 23, 2014

puta qualquer


venho, por meio desta, mandar vocês tomarem no meio do olho do cu de vocês. no meio dessa região do espaço da qual nada, nem mesmo objetos que se movam na velocidade da luz, podem escapar que é o cu de vocês. no buraco negro do cu de vocês. que os egos corroídos em ácido, resultados da deformação do espaço-tempo, causada após o colapso gravitacional de uma estrela global, engulam-se a si próprios como hienas famintas que foram esquecidas no mundo-cadáver. que a matéria de vocês, astronomicamente maciça e, ao mesmo tempo, infinitamente compacta evapore do universo como as concepções mesquinhas e machistas que você tem de mundo. quem todos vocês sofram da própria radiação que exalam, que sejam obrigados a engolir os filhos que eu fui obrigada a abortar. Que engasguem com as minhas vísceras negras, incapazes de refletir qualquer feixe de luz que venha a atingir seus horizontes de eventos. minhas entranhas cósmicas gangrenadas, minha galáxia de unhas estelares no estômago, minhas lágrimas atirando a zênite até secar a terra, meu puro osso, meu título conquistado de puta crackuda, que toda eu-ninguém doa em vocês, nem que por um segundo quando a minha massa corpórea invadir seus cus apertados até que gozem. Desejo que vocês se fodam gravitacionalmente em órbitas elípticas infinitas e que tirem bom proveito da escravidão de se fuderem durante os séculos. Que cresçam com isso. Que inflem seus meios estelares de gás e poeira e que toda a matéria escura fedida das suas veias venha às claras empestando os núcleos galácteos de terror e carne em processo de putrefação. Que passem a sentir apenas o fedor da própria porra e o escutar apenas a barriga roncando de desejos-defuntos. Que cegos vocês formem uma pilha superaglomerada no umbigo do mundo para que eu, em combustão, me arremesse no meio e mate a todos. Então, um segundo de vida. É o que desejo.



puta número 1: mexicana, 25 anos


Yossi Loloi, Full Beauty Project, 2011: http://www.fullbeautyproject.com/


puta número 2: romena, 29 anos


David Jay, Proyecto Cicatriz 2011: http://www.thescarproject.org/



puta número 3: francesa, 22 anos


Joel-Peter Witkin, Leda, 1986