Marenka e o Peixe caminham bêbados. Os dois vestidos de mulher. Um misto de dança, cansaço e embriaguez. Ao fundo, uma morta dança.
O PEIXE: No princípio era a terra.
Eles gargalham
MARENKA: Aí o mar engole tudo.
O PEIXE: cria chão, rasga chão, vira continente, afunda continente. nasce submundo. morre humano.
MARENKA: Blablablabla. Poeta de cu.
O PEIXE: Você fica linda brava
MARENKA: Para. Eu tô grávida de mim. Preciso descansar. Conta mais.
O PEIXE: Deus, Darwin, Prometeu, Nu Wa e Stela do Patrocínio criaram o homem.
MARENKA: Aí vem um filho da puta, constrói uma hidrelétrica, afunda a porra toda e fode com as ideias.
O PEIXE: A água que te traz te leva, Marenka!
MARENKA: Só sobrou eu e ela! Não vai dar pra povoar o mundo! Alô! Tem alguém aí? Só tem eu e essa velha pelancuda. Vem comigo, porra!
O PEIXE: To cansado de morrer. Resolvi virar peixe.
MARENKA: Grandes Cidades!
O PEIXE: Água
MARENKA: Célebres
O PEIXE: Água
MARENKA: Cidades Históricas
O PEIXE: Água
MARENKA: Amores e desamores
O PEIXE: Água
MARENKA: Cansei de nascer, resolvi virar peixe.
O PEIXE: E depois?
Marenka quebra uma garrafa na cabeça do Peixe, a música muda a frequência. Tudo é agitado. Num impulso, O Peixe levanta e corre atrás dela. Eles correm e riem até que ele a alcança e a joga no ombro Música alta. Cada um vem do seu canto. Todos dançam. Festa com bebidas e quitutes.
No comments:
Post a Comment